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Vale a pena fazer um curso à distância? Especialista analisa o momento da EaD

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Atualmente, há mais de 1 milhão de alunos matriculados em cursos de graduação à distância no Brasil, ou seja, quase 20% do total de matrículas do Ensino Superior. De 2001 a 2012, o Ensino Superior presencial cresceu apenas 20% no país, contra 95% da educação à distância, ou EaD. Esses dados são apresentados com entusiasmo por Eduardo Penterich, diretor e mantenedor de polos da Unisa (Universidade de Santo Amaro), entre eles São Bernardo do Campo e Diadema.

Mas várias dúvidas rondam quem pensa em optar por um curso na modalidade EaD. Vale a pena? O mercado vai reconhecer meu diploma? Será que conseguirei estudar fora do formato tradicional? Na entrevista a seguir, Penterich responde a várias perguntas comumente feitas por aqueles que consideram a EaD como uma possibilidade.

Além do óbvio, que é a presença física, quais outras diferenças você destacaria entre os cursos tradicionais e EaD?
Os preços dos cursos à distância ainda são mais atrativos que os presenciais, podendo variar de 15% até 40%, o que possibilitou uma maior ascensão da classe média ao Ensino Superior. A possibilidade de construir o aprendizado no seu próprio ritmo e tempo é uma das grandes diferenças para quem opta por um curso nesta modalidade. As interações num curso à distância ocorrem nos ambientes virtuais de aprendizagem, por meio de Skype, WhatsApp, Facebook, e-mail e outras ferramentas de comunicação. Isso tem possibilitado que muitos alunos que dificilmente se pronunciariam numa sala de aula tradicional, participem com mais intensidade num curso à distância. Além disso, o conteúdo pode ser acessado não somente na escola ou na casa do aluno, mas em qualquer outro local e momento, com a ajuda de smartphones, notebooks e tablets. O desafio das instituições de Ensino Superior tem sido, a cada ano, buscar e desenvolver novos modelos pedagógicos para os seus cursos à distância.

Há diferenças significativas entre cursos EaD e semipresenciais?
Além dos preços mais acessíveis, a EAD conta com uma estrutura de Polos de Apoio Presenciais. Isso permite que alunos residentes em locais de difícil acesso, nos interiores do país, possam estudar numa instituição de Ensino Superior de ponta. Os professores dos cursos à distância são qualificados, os monitores e tutores são bem preparados com as ferramentas de EAD não só para transmitir o conteúdo das aulas, mas também para mediar os estudos. Os recursos didáticos também são um diferencial, pois os cursos se utilizam de videoaulas, material didático digital e acesso as plataformas e ambientes virtuais de aprendizagem. Os projetos pedagógicos são mais inovadores e pode se contar com a infraestrutura física de Polos de Apoio Presencial.

Há áreas em que os cursos EaD são inviáveis?
Sim, em áreas que se exige muita prática ou atividades laboratoriais intensas, como ocorre na área da saúde. Existem ainda segmentos em que os cnselhos de classe não são favoráveis à EAD, como, por exemplo, os cursos de Direito, Enfermagem, Psicologia e Medicina. Nesses casos, conforme o § 2o do Art.28 do Decreto 5773 de 09 de maio de 2006, a criação de cursos de graduação em Direito, Medicina, Odontologia e Psicologia, inclusive em universidades e centros universitários, deverá ser submetida, respectivamente, à manifestação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil ou do Conselho Nacional de Saúde.

Há um perfil desejado do aluno que pretende optar por um curso EaD?
Sim, espera-se desse aluno uma maior capacidade de organização do tempo, planejamento, disciplina e ter familiaridade com a tecnologia. Esses são requisitos essenciais para que ele entenda como são as aulas, estabeleça uma rotina de estudos, domine os recursos tecnológicos envolvidos para conhecer o universo virtual e saber navegar com facilidade pelos sites e portais. Além disso, requer motivação e proatividade, ou seja, o próprio aluno deve se motivar para estudar, a fim de conquistar a aprendizagem com mais autonomia, e de forma mais personalizada. Se a instituição de ensino for boa, é preciso estudar mais num curso à distância do que num curso presencial, portanto, não são todos que conseguem ter sucesso num curso de graduação à distância, e a taxa de abandono e evasão é muito alta.

E qual é o perfil do aluno que procura por um curso EaD: normalmente é uma segunda graduação ou há também quem faça apenas à distância?
Em sua maioria, ainda são pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar de forma presencial, tradicional, por limitações de tempo, espaço e até de recursos financeiros. Mas também começa a surgir um novo grupo de estudantes, mais jovens, que saem do Ensino Médio e ingressam diretamente na EaD. Também existem aqueles que optam pela EaD, mesmo podendo pagar um ensino presencial, pois preferem passar mais tempo com a família, ou porque tem dificuldade para se deslocar nos grandes centros e conciliar a agenda de compromissos profissionais. Diferentemente dos anos iniciais da EaD no Brasil, em que a maior parte dos alunos era formada por moradores de pequenas cidades do interior do país, atualmente cresce o interesse por aqueles que moram nas grandes capitais, e que não querem perder horas no trânsito para se deslocar até uma universidade e fazer um curso presencial.

O mercado hoje reconhece os cursos EaD com o mesmo peso dos presenciais?
Sim, atualmente há mais de 1 milhão de alunos matriculados em cursos de graduação à distância, ou seja, quase 20% do total de matrículas do Ensino Superior. Os diplomas tem a mesma validade, os cursos são reconhecidos pelo MEC, e não se faz distinção no diploma se o curso foi realizado presencialmente ou à distância. Além disso, nos últimos três anos, os resultados do Enade, o antigo provão, têm mostrado que os alunos dos cursos à distância têm obtido um desempenho igual ou superior aos alunos dos cursos presenciais. A qualidade dos cursos à distância é cada vez mais reconhecida pelo mercado, e o papel do MEC em assegurar essa qualidade por meio da supervisão e da regulação tem sido de grande importância.

Além das particulares, as instituições públicas também têm apostado em cursos EaD?
Houve um decréscimo de matrículas nos cursos à distância nas instituições públicas nos últimos três anos, isso em parte explicado pelo fato de que o objetivo maior da Universidade Aberta do Brasil, consórcio formado por instituições de Ensino Superior públicas com os Estados e municípios, era suprir uma carência de formação de professores no país. E essa demanda foi atendida em grande parte com os cursos de Licenciatura oferecidos gratuitamente pelas instituições públicas nos últimos anos. Atualmente, 84% das matrículas da EaD estão concentradas nas por instituições de Ensino Superior privadas e 16%, nas públicas.

Você considera que, em um futuro próximo, os cursos EaD serão tão ou mais procurados que os presenciais?
Atualmente, já são mais procurados, se observarmos a evolução das matrículas do Ensino Superior. De 2001 a 2012, o Ensino Superior presencial cresceu apenas 20%, contra 95% do ensino à distância. Levando-se em conta as metas do governo para o PNE até 2020, e superadas as barreiras da garantia da qualidade e de novas linhas de financiamento para os cursos à distância, como o Fies ser estendido também para alunos da EaD, certamente a procura deve aumentar exponencialmente.

Fonte: https://www.virandobixo.com.br/

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